Gostar de São Paulo
não é para iniciantes. Impossível amor à primeira vista. Requer
aprendizado, paciência e, como todas as paixões, disposição à
entrega. Nada parecido com o Rio, onde basta uma rápida olhada na
paisagem e caímos de joelhos, rendidos pela beleza óbvia e unânime;
o Rio é uma mulher estonteante e devoradora. Humilhante até.
São Paulo é a mulher
arredia, desprezada pela falta de exuberância natural, a ser
conquistada todos os dias. Exige o olhar da sutileza fotográfica,
quando se capta o ângulo e enxerga-se a essência pelo detalhe.
À primeira vista o que
vemos é o que não gostaríamos de ver. Sentimos o que não queremos
sentir; acuados diante do caos, da insegurança de ficar presos no
trânsito ou de cair na mão de assaltantes, que deveriam estar
presos.
A poesia desta cidade
não está na paisagem geográfica, mas na paisagem humana. Vivemos
aqui o confronto ente o caos urbano e a riqueza humana.
Ser paulistano é ter
medo, mas, ao mesmo tempo sempre ter um projeto para sonhar e
desenvolver; nossa história é feita da coleção de pequenos sonhos
de imigrantes e migrantes.
O ser humano é a única
paisagem que nos sobra, tirando da perversa falta de urbanidade uma
poesia de humanidade.
Gosto de São Paulo –
aliás gosto muito – porque vejo nela a aventura de ser desafiado
pelo caos urbano, mas seduzido pelo humano.
É uma mulher que não
nos atrai pela sensualidade, mas pelas histórias de aventura de quem
viveu e vive de sonhos.
Gostamos dessa mulher
quando nos sentimos parte de suas histórias, aventuras e sonhos.
E, então, como esses
fotógrafos, encontramos o ângulo da beleza.